Turismo na favela: exploração, progresso ou tico-tico no fubá?
O turismo nas favelas é uma faceta no novo “pós-turismo”.
Agora que pessoas de poder aquisitivo cada vez mais baixo já podem visitar os destinos turísticos tradicionais (a classe média sofre com esses pobretões na fila da Disney!), os novos pós-turistas, para se distanciar da ralé e reestabelecer a distância original, precisam buscar novas experiências turísticas, mais inusitadas, mais interativas, mais aventureiras, indo a lugares que seriam a antítese do antigo turismo, localidades antes marginais e agora reinventadas e reapropriadas.
Em outras palavras, com os pobres agora lotando Gallerie Laffayette, em Paris, seus antigos frequentadores hoje fazem safari tours em favelas.
A indústria do turismo classifica a pobreza como exótica, a transforma em mercadoria e a vende para turistas que queiram participar dessa “economia de sensações”, onde o que compram é justamente a sensação voyeurítica de poder vivenciar a pobreza e a miséria sem precisar, para isso, serem pobres e miseráveis.
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